Um Sonho chamado Mariana

Dedicado à Mariana

adartse ahnim

vou deixar-te seguir a tua estrada.

o teu caminho.

e vais ser feliz.

E vais ser tu.

E eu…, jamais, serei eu.

Jamais.

Deus matou-me hoje, por entre a névoa, por entre choro e ranger de dentes, por entre os teus cabelos suaves, longos, amados.

Deambulo na noite triste. Pérfida luz paulatina embala os meus olhos e o torpe sabor do cigarro apagado para sempre, na esquina dura de um prédio sujo.

Acordar, deixar o sonho, é como morrer.

Morre-se sempre, quando se acorda. O real, ou irreal, espera-nos mais um dia. E se no sonho somos quem queremos, no real (ou irreal), somos máquinas mandadas que se movem como autómatos.

E o teu sorriso apaga-se, à medida que abro os olhos. “não” - grito. Mas o processo de acordar é imbatível. Só me ocorrem palavrões, tremendos, gritantes, galopantes.

Agora que acordo, vou deixar tudo. Vou partir. China, Uzebequistão e Rússia se seguem…

Vou, sem esperança de voltar, sem esperança de te voltar a ver. O teu sublime. TU, a ti.

ohnos uem o erpmes res siav . rehlum ednarg amu res siav.

20

Cadernos Ardem.

uma obra que se foi. não!

um sonho de que acordei.

foi

bom

Hoje

Morri.

“às vezes eu não salto, com medo de voar,

às vezes eu não sonho, com medo de acordar,

às vezes eu não canto, com medo de me ouvir,

às vezes eu entendo, que é apenas um momento,

E o melhor há-de vir.”

Gostas, Mariana?

Eu sei que sim. Vais dizer que diz muito de ti.

Tenho de me encontrar

Antes do corpo partir.

Atena(s)

Atena(s)